22 de abr de 2007

Igreja de S. Gião




Ontem ao dirigir-me para a zona de Peniche acabei por concretizar um desejo antigo, ainda dos tempos da faculdade, ali para os lados da Nazaré, mais concretamente no extremo norte da freguesia de Famalicão depois de percorridos alguns quilómetros numa estrada mista de terra com areia...na qual parecia por vezes que o carro entrava totalmente dentro dos buracos, a fazer lembrar quem sabe uma viagem de barco. Ao chegar ao local fiquei algo desapontado, já que depois de seguir uma indicação dada por uma placa e dotado de uma grande dose de coragem para não voltar para trás dada a qualidade do caminho, dado o monumento se encontrar fechado por uma cerca com arame farpado e um portão com grande cadeado... Dadas as minhas "credenciais" de "arqueólogo" e com a missiva de fazer uma reportagem para os meus amigos "blogosféricos" optei por me fazer entrar por uma nesga do portão (comprovei que por onde passa a cabeça passa o corpo).

Este templo descoberto nos anos 60 tem sido catalogado como visigótico, um dos mais antigos do Ocidente e o primeiro de todo o mundo a fazer a separação entre o clero e o povo. Ultimamente as leituras feitas pela Arqueologia da Arquitectura apontam para uma igreja que segue as características das igrejas asturianas. Seria deste modo "um posto avançado na progressão da influência galaico-asturiana" que pode ter reutilizado material anterior, presumivelmente visigótico. Os últimos estudos apostam mais no afastamento do universo visigótico e aproximam-no extraordinariamente do restrito número de templos asturianos, conforme se comprova pela existência de tribuna ocidental e câmara supra-absidal. A juntar a estas evidências, há que aprofundar o estudo estilístico dos capitéis da eikonosthasis, cujo vegetalismo e organização em andares aponta também, ainda que com tratamento menos saliente do campo escultórico, para os característicos capitéis vegetalistas asturianos.

Em 1986 é classificado como Monumento Nacional e no presente parece mais um dos muitos destroços visíveis do nosso património. Quando foi notícia no final da década de 80 este importante temploe estava transformado num curral de gado, o que já nos aparece referido em documentos de 1702...

Esta minha visita acabou por se transformar numa aventura interessante, não só marcada pela entrada no recinto, como no andar sobre estruturas de madeira completamente podres. Não fosse o meu reduzido peso...e lá tinha ficado o "arqueólogo-Moura" num buraco qualquer. A sorte é que levava como companheira de aventuras a minha filha Mafalda que já começa a entrar no espírito...
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10 comentários:

Tozé Franco disse...

ASSIM VAI (DES)ANDANDO O NOSSO PATRIMÓNIO.
UM ABRAÇO.

Eduquês disse...

Chegou mais um sítio para cuscar.
http://pedagoges.blogspot.com/

sonhadora disse...

Sonhos mágicos.
Beijinhos embrulhados em abraços

Meg disse...

Como gostava de te acompanhar nestas aventuras! a procura, a descoberta, a sensação da descoberta, memórias que trago comigo, doutras paragens, irrepetíveis...
Quanto eu já calcorreei à procura de um sonho, duma imagem...

Um abraço muito amigo

Maria disse...

O gozo que te deve dar este tipo de passeatas...
E a nós também, pelas estórias que contas...

al cardoso disse...

Ja ha bastantes anos que soube do estado deste monumento, estava convicto de que presentemente ja estaria em melhores condicoes de conservacao, mas pelo que me foi dado perceber, essas recuperacao estara para quando provavelmente ja nao for possivel!

Um abraco d'Algodres.

Anônimo disse...

Olá sr Moura dei uma olhada aqui ao seu site e de facto é de lamentar que o nosso patrimonio esteja assim como outras coisas mais .
Eu faço parte da familia a que esta quinta pertenceu, tinha meus 12 anitos quando as escavações comesaram por um arqueologo casado com uma sra de famalicão por iniciativa propria as desenvolveuele se chama Borges e desde que ele faleceu nada foi feito a não ser a cobertura existente .
se desejar alguma inf aqui vai meu contacto abilioal10@hotmail.com

Anônimo disse...

Olá Sr. Moura!
O meu nome é Ivo Batista e sou natural de Famalicão da Nazaré e estudante na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria (ESECS) aluno do curso de Educação Social 1º ano, ao qual me foi proposto um Projecto de Investigação pela docente da disciplina de Teoria e Prática da História Local e Regional, ao qual escolhi o tema sobre a Igreja de São Gião, visto ser um monumento de uma enorme carga histórica para a região e mesmo a nível nacional, pois ao que parece, é único na Península Ibérica.
Pena é, este monumento estar ao abandono desde à muitos séculos, o que me faz imensa confusão, pois não compreendo como querem dinamizar zonas geográfica como a nossa, deixando pormenores de tal ordem para segundo plano.
É triste mas é a realidade. Sendo uma zona Turística, como pode ficar temas como este à margem e esquecidos? Estava previsto a abertura ao público em 2008 e a 8 de Março de 2009, ainda está ao abandono, com a tal cobertura de zinco que mais aparenta ser um polidesportivo. Um tanto quanto chocante para o património nacional e até mesmo mundial.
Ficaria eternamente grato se me ajudasse com alguma informação acerca deste monumento, isto se possível claro.
O meu mail é: pipikx@hotmail.com

Os melhores cumprimentos

Ivo Batista

Raquel disse...

inacreditável! fui dia 5/O5/2009 ver??? o local, continua tapado e com certeza em pior estado que em 2007, reclamei no Posto de Turismo da Nazaré que ao menos deviam tirar a placa ou avisar que não se pode ver nada, e a resposta: blá, blá... Hoje procurei na net informação e deparei-me com este blog, o que é que se pode fazer a estas ENTIDADES RESPONSÁVEIS? triste País

Anônimo disse...

É triste, ver o que se vê, ou o que não se quer ver.
Estive recentemente em Espanã, e gostei muito daquilo que vi.
Eles sim,estão a recuperar patrimónios,em sitios que nem nos passa pelo tola. Não acredito que seja a Unesco a pratricionar tudo. Como eu, há mais no desemprego,sejamos úteis.